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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

daqueles temas dificeis

Em Fevereiro passamos por um aborto espontâneo. Acho que a única coisa que escrevi sobre foi este post aqui. Não toquei muito no assunto porque era ferida aberta, porque embora tenha sido "só" às 8 semanas, e nós nem sequer estivessemos a planear uma gravidez exatamente para mim era como perder uma "Pessoa inteira", um pedacinho de mim e daquilo que já imaginei seria o meu futuro. O médico na altura aconselhou repouso e "abstinência" durante umas quantas semanas, eu também não tinha vontade para nada sejamos sinceros, mas depois em agosto o tema voltou à conversa e pensamos "vamos fazer as coisas como deve ser, tomo as vitaminas e o ácido fólico como deve ser, fazemos análises, controlamos alcool e dieta e essas coisas todas a ver no que dá" e a conselho médico fiz injeção de indutor de ovulação (Gonal), nem pensei muito no assunto, troquei as cervejas com alcool por as sem alcool, passei a dormir mais horas como gente decente, "praticava" sem olhar a dias ou horas" e já em outubro tive que voltar a Portugal sozinha.

Fui e como de costume, logo no primeiro ou segundo dia em portugal fui dar sangue. A tensão estava baixa mas eu faço sempre tensões baixíssimas então o médico apenas mandou tomar um café e medir de novo e já deu um nível "aceitável". comecei a doação e comecei a sentir-me mal, muito mal, tudo a girar à minha volta, a máquina a começar a apitar desde muito cedo, tive que interromper a doação e ser examinada por médicos. Expliquei tudo o que sabia e perguntaram-me se estava grávida, disse que não (porque tinha feito teste antes de viajar e sabia que tinha dado negativo), sabia que a injeção "não tinha resultado". Então pediram-me que fizesse um teste rápido, e lá estava, positivo.

Passaram-me para médico de família e ele mandou análises, mas por conta do historial passou logo receita para tonturas, multivitaminicos e sei lá mais o quê,  e quis que eu repetisse as análises uns dias depois da primeira a ver como evoluia o nível do beta. O primeiro beta deu logo um nível jeitoso, e o médico disse "bem parece que o resultado é efectivamente positivo, mas pelo nível deve ser só de 4-5 semanas então não adianta mandar ecografia para já, descanse siga com a medicação e repouso quanto possível". Segundo beta o nível subiu, e decidi fazer uma ecografia por conta própria ainda antes da visita médica, o técnico virou o ecrã para outro lado e disse "menina neste estágio não adianta você olhar porque não entenderia nada, não há muito que ver" e eu perdi o tino, veio aquele aperto novamente. Quando cheguei ao médico para que ele visse as análises ele viu e disse "o nível realmente subiu mas não como deveria, subiu apenas residualmente, vamos ver como se desenvolve e fazer um controlo mais apertado, um repouso maior".

Mandaram esperar, e eu não sei esperar, e junto com o aperto que já sentia e tudo mais, falei apenas com o marido e uma prima (quase irmã) sobre o assunto, tinha que ser paciente.

Mas não passaram muitos dias e comecei com as dores, e aquelas dores eu já conhecia, e telefonei ao médico e ele disse "ana, tudo o que podemos dar-te já demos, podes ir ao hospital e fazer que te internem se perdes muito sangue ou não estás bem" e veio o sangue, e eu sabia que estava a passar tudo de novo. Marquei nova consulta no privado e levei tudo o que podia, disseram-me "menina pelo que posso ver está grávida de 5-6 semanas mas tudo indica que não evolui como deve ser, tudo o que lhe foi administrado é o procedimento, todos os exames são do procedimento, não posso fazer mais por você do que aquilo que já fizeram, posso sugerir um especialista em infertilidade mas pouco mais há a fazer".
Fiz ecografia e vi realmente a mancha no ecrã desta vez e vi a cara da técnica a dizer que teria o exame pronto em seguida, ela perguntou-me se eu estava bem e eu disse "tão bem quanto é possível estar" e ela disse "menina não me leve a mal, mas deveria procurar a urgência, talvez lá podessem fazer curetagem e você ficasse melhor". Quando entrei na cabine para me chorei o que não tinha podido até ali.

Voltei "à minha casa" para junto do meu marido e fiquei em silêncio, mas agora quero colocar tudo para fora.
Na semana passada por duas vezes uma conhecida passou por nós e perguntou "então e quando vem os filhos?" e dei o sorriso mais amarelo que tinha para ela e disse "quando deus quiser"... Mas cá dentro, quero mesmo é gritar-lhe QUANDO SE COMPRAREM FILHOS EM PRATELEIRAS DE SUPERMERCADO OU ELES VIEREM DE BRINDE NAS CAIXAS DE CEREAIS.

Cansada, apenas cansada

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

ela não sabia

Tentamos ser pais durante um ano... nada aconteceu.

Recentemente andava com bastantes sintomas e decidi fazer um teste só por descargo de consciência, esperei os minutinhos com o coração nas mãos, e só acendeu a linha de controlo... Atirei com o teste para dentro da gaveta e roguei pragas a tudo. Dias depois fui limpar a dita gaveta porque já nem fechava e vi lá a outra risquinha mas bastante clara e um pouco torta. Peguei no teste e fui reclamar com a moça da farmácia que nos tinha vendido um teste estragado. a menina só abriu um sorriso gigante e disse "menina isso não está estragado, isso é um positivo de poucas semanas, quer ver alguma chupeta ou algum item para oferecer ao futuro papá?", senti que o chão e tudo à minha volta girava e a menina mandou sentar de tão pálida que me viu, alguém me trouxe água e um lanche salgado pensando que era uma quebra de tensão. Saí de lá e avisei logo o meu marido. Ele todo entusiasmado. No dia seguinte o meu homem tentou marcar consulta com a minha ginecologista mas foi muito mal atendido via telefone e basicamente mandaram-no pastar por não saber quantas semanas tinha eu de atraso...

Meteu-se o fim de semana e tentei telefonar para o centro de saúde da minha área para saber o que poderia fazer em seguida. O senhor que me atendeu disse que eu tinha que ir para a médica da especialidade que já me seguisse. Tentei novamente marcar com ela e nada de conseguir nem quem me atendesse o telefone. passam dois ou três dias e começo a ter umas perdas de sangue muito discretas e umas dores fortes no fundo das costas. Falo com algumas colegas e elas dizem "se são apenas aquelas coisas que mancham a cueca não te preocupes é normal, e as costas será do trabalho ou a ciática".

No domingo à tarde eu já nem me conseguia dobrar e estava a perder sangue em quantidade; pedi ao meu marido que me viesse buscar e fossemos para o posto médico em pessoa tentar que alguém nos atendesse. a médica que lá estava (aliás todo o pessoal lá foi super simpático e atencioso) achou por bem mandar via ambulância para a urgência. cheguei na urgência e as dores aumentam. colocam paracetamol pela via enquanto aguardo resultados de análises e exames...
Passam horas, o senhor gajo dorme na cadeira das urgências, eu ando lá dum lado para o outro com o suporte do paracetamol e a via e a aquela parafernália toda dum lado para o outro e quando chega a médica diz apenas "a menina está a ter um aborto espontâneo e não há nada que possamos fazer, recomendamos que vá para casa descansar tome analgésicos  e seja vista pelo seu médico regular".

Passam três semanas e encontro esta amiga que vive em Barcelona e que já não me via faz tempo, alguém lhe comentou da gravidez, ela trouxe uma prenda, ela não sabia do que tinha passado, choramos juntas quando lhe contei. O peso que sentia em cima dos meus ombros aliviou.
E agora tenho um ursinho e três pares de meias adoráveis, e não sei o que lhe fazer